Alguns já sabem, mas
semana passada inciei o mesmo projeto da blogueira Summer Belessa (https://estilo.catracalivre.com.br/roupa/mae-pede-ao-filho-de-3-anos-que-escolha-sua-roupas-durante-uma-semana/),
na qual ela deixa seu filho escolher suas roupas por uma semana. Como tenho
dois filhos, resolvi fazê-lo durante seis dias, no qual cada dia um escolhe a
roupa. O objetivo principal era mostrar a eles a responsabilidade que temos com
eles até nos pequenos atos, como escolher uma roupa (normalmente eles escolhem
suas próprias roupas, mas nem sempre o resultado é bom/adequado, então rola
aquele estresse e ambos dificilmente aceitam minha humilde opinião), mas no
final do projeto eu consegui muito mais do que o objetivo dele! Antes, irei descrever
o perfil do meu eleitorado, em seguida relatar dia a dia a escolha de cada um e
depois as minhas conclusões sobre o projeto:
Os stylists:
Bernardo: Escolhe o que
vê pela frente, geralmente as peças de cima da gaveta, ou seja, as mesmas
roupas. Por ele, andava só de cueca (quiçá sem ela) em todos os lugares. Suas
roupas servem apenas para atender às minhas ordens de “vista-se”, então seria
capaz de ir a um casamento de sunga e a um baile funk de terno e gravata.
Estrela: Vaidosa e
feminina. Adora rosa, babados, floridos e “coisitas fashion”. Ah, fantasias
também. Frequentemente vai a lugares com roupas de princesa ou maquiagem de
coelhinha. Me pede penteados de “rapunzel”, de “elsa”, “ana” e princesas afins.
Exagera nos acessórios muitas vezes. Às vezes me pede opinião do que vestir,
mas quando eu opino ela rejeita.
As condições: Não usei maquiagem em nenhuma das fotos e nem coloquei nenhum efeito além de cortar a bagunça da casa nas fotos hehehe. #nomakenofilter! Na primeira foto eu acabei tirando sozinha, mas prezei para tirar as outras no mesmo lugar. A escolha deles era "à vontade", podendo escolher roupas de praia, academia, sandálias havaianas, o que bem entendessem. Para isso deixei avisado nos lugares onde iria para quaisquer eventualidades.
Os dias:
Os dias:
Primeiro dia: escolha do Bernardo.
Estava animado
com a “nova atividade”, mas do mesmo jeito que ele escolhe as suas roupas ele
veio escolher as minhas. Mostrei todo o guarda-roupa e o deixei à vontade, mas
ele, com pressa, pegou as duas primeiras peças que viu pela frente, sem
qualquer critério, me entregou e foi embora. Esqueceu-se dos sapatos. Se
bobear, eu iria descalça! Tive que escolhê-los.
Como avisei a
muitas pessoas, postei o look e a repercussão foi imediata! Choveram
comentários sobre a roupa, uns adorando, outros rindo das cores. Ficou
realmente bem dividido. Na universidade, professores me pararam pra dizer que
acharam a combinação melhor pessoalmente do que nas fotos. A ansiedade era
pelas escolhas da Estrela!
Segundo dia: escolha da Estrela.
Ela me pediu
para fazer sua escolha na véspera, estava bastante ansiosa. Da mesma forma que
com o Bernardo, mostrei todo o guarda-roupa e deixei-a à vontade A primeira
coisa que ela perguntou foi: “Mamãe, onde estão as tuas roupas de trabalho?” A
partir daí escolheu de cara o casaco, mas nas peças seguintes olhou bem o
guarda-roupa antes de fazer a sua escolha. Perguntou onde estavam os meus
sapatos e pegou sapatilhas. Nesse momento o Bernardo reclamou de não ter
escolhido os sapatos, e eu lhe disse que ele que não os escolheu.
Nesse dia a
ansiedade das pessoas estava grande. Já me pediam no whatsapp pra postar o look
do dia desde às seis e meia da manhã. Quando postei, a reação das pessoas foi
imediata: quase que unanimidade adorou o look! Na universidade, voltei a ser
parada e Estrela foi extremamente elogiada pela escolha.
Terceiro dia: Escolha do Bernardo.
O terceiro dia
era um sábado e iríamos passar o dia em casa. Não achei justo ele ter um
trabalho para me escolher uma roupa para ficar em casa. Como iríamos sair na
sexta à noite, deixei que ele escolhesse o segundo look do dia.
Ele já estava
mais preocupado. Olhou atentamente as minhas roupas e fez sua escolha. Depois
que as fez, ainda procurou mais um pouco para ver se havia outra peça para que,
talvez, trocasse, mas ficou satisfeito com a sua escolha. Quis que eu usasse
lenço e sandálias baixas para irmos jantar em um restaurante “chique”. Perguntei
infinitas vezes se essa era a sua escolha definitiva e ele disse que sim, pois
estava bastante satisfeito!
Os comentários
mais uma vez se dividiram: alguns riram da escolha, enquanto outros a acharam
interessante.
Quarto dia: Escolha da Estrela.
Fomos ao teatro.
Ela já sabia que queria me escolher um vestido e foi logo perguntando onde
ficavam. Me escolheu vestido, sapatos (sapatilhas, mais uma vez), colar e
brincos.
Nesse dia a
Estrela foi ovacionada! Muitos pediram para que ela escolhesse seus looks
também!
Quinto dia: Escolha do Bernardo.
Dessa vez ele
quis escolher na véspera. Teve todo o trabalho de olhar bem as roupas e
escolher a que ele queria. Disse que não me queria com acessório nenhum além do
cinto azul. Escolheu macacão, regata e sandálias baixas. De manhã, ao me vestir
e colocar a regata para dentro (primeira foto), disse que não era daquele jeito
e pediu que eu colocasse para fora do macacão (segunda foto).
Com exceção de
raríssimos comentários, risos e perguntas se eu iria sair mesmo desse jeito
foram as reações das pessoas. Alguns grupos limitaram-se ao silêncio.
Sexto dia: Escolha da Estrela.
Escolheu mais
uma vez na véspera. Disse de cara que dessa vez queria escolher “uma roupa, não
um vestido”. Pediu para que eu tirasse as saias do cabide para que pudesse
vê-las melhor e rejeitou algumas. Após escolher a saia, foi para a gaveta das
camisetas, onde escolheu uma que segundo ela, era “perfeita”. Escolheu os
sapatos (scarpins baixos) e brincos, apenas brincos, insistiu que não queria nada
mais. Perguntei se queria mais alguma coisa e ela disse que estava muito
satisfeita com a roupa que eu iria trabalhar. Bernardo ficou brabo, pois queria
escolher mais uma vez!
Como minha sala
na universidade está com "problemas de refrigeração", pedi para que
pudesse colocar um casaco por conta do frio, mas postarei o look original,
escolha dela.
As impressões:
- Meu objetivo foi alcançado.
Eles não só ficaram mais cuidadosos na escolha das minhas roupas como
também nas deles. O Bernardo começou a olhar suas gavetas com mais cuidado
e a Estrela me chamou para ajudá-la nas escolhas dela, aceitando as minhas
opiniões. Missão cumprida.
- A empolgação para fazer uma
escolha para a mamãe deles foi imensa! O senso de responsabilidade que
eles adquiriram com o peso da tarefa e a vontade de me agradar com as
escolhas foi lindo!
- Conversei com eles sobre a
atividade. Deveria ter conversado apenas no último dia, mas no quarto dia
estávamos em um momento em que eles conversariam comigo numa boa e decidi
interrogá-los naquele momento mesmo, além de acabar conversando no último
dia também. Perguntei se eles estavam achando/acharam difícil a tarefa.
Bernardo disse que sim, “muito difícil” e Estrela disse que achou bastante
fácil, com exceção do último dia, em que trocou de escolha nas saias! Perguntei
o por que de eles estarem me escolhendo tantas saias e vestidos. Estrela
me disse que gosta de me ver de saias e vestidos, e não de calças, e o
Bernardo, obviamente, não havia se dado conta disso (não sei se
influenciado por isso ele me escolheu um macacão no outro dia). Perguntei
também se eles não gostavam de me ver de salto, e os dois disseram não ver
problemas, embora em todos os dias tenham me escolhido sapatos baixos.
Suas escolhas preferidas foram as do segundo dia, para ambos. Ambos
disseram ter escolhido o que eles gostavam, sem se preocupar com o que eu gostava,
mas no primeiro dia da escolha da Estrela, lembrei que ela preocupou-se em
saber onde estavam minhas roupas de trabalho. Estrela disse que não pensou
no que as outras pessoas iriam dizer, ao contrário do Bernardo, que disse
ter ficado curioso. Estrela disse que nas suas escolhas gosta de ser ela
mesma, do “jeitinho que ela é”, já Bernardo disse que adora ser diferente,
igual ao “Do Contra”, personagem da Turma da Mônica.
- Estrela surpreendeu. Estava
com medo das escolhas dela, mas ela foi cuidadosa e criteriosa do início
ao fim. Me surpreendeu também por ser convencional e conservadora. Achei
que meus looks iam ser “baphônicos”, cheios dos brilhos e glitters, já que
ela tinha um universo feminino totalmente disponível para inovar, mas nem
nos acessórios ela foi intensa. No início, atribuí esse cuidado e essa
cautela ao fato de ser mulher, o que não descarto completamente, mas
também percebi que ela ousa porque acha que a sua idade permite, a dos
adultos, não.
- O Bernardo não foi muito
diferente do que eu esperava. Não liga para o que os outros pensam. Sei
que ele melhorou, mas pra ele o importante é fazer a tarefa, não importa
como. Também atribuí isso ao fato de ser homem, o que também não descarto
por completo, mas percebi que a sua personalidade é do tipo que não tem
medo de ousar, nem de fugir aos padrões, desde que esteja satisfeito.
- Ratifiquei o comportamento
humano. As pessoas são naturalmente competitivas. Em nenhum momento pensei
em uma competição sobre quem escolheria melhor (de acordo com padrões
estabelecidos) as minhas roupas, mas muitas pessoas encararam assim. Eu
mesma, mesmo não fazendo competições, fiz comparações. Não critico as
atitudes, só tive a certeza de que nunca conseguiremos chegar a uma
igualdade perfeita, simplesmente porque somos seres humanos. Ratifiquei
também que gosto não se discute MESMO!
- Adultos têm medo das
escolhas das crianças. Muitos achavam (até eu um pouco) que as escolhas
seriam desastrosas e inadequadas, mas tirando o “fora do convencional”,
nenhuma delas chocou ou me colocou em uma situação vexatória. Adultos têm
medo, erroneamente, dos gostos de seus filhos, sem perceberem que seus filhos,
na maioria das vezes refletem o perfil dos pais.
- Percebi que tenho roupas
demais! Foi difícil pra eles escolher, dentre tantas, e quando vi a
possibilidade de combinações inusitadas que puderam ser feitas, vi que
talvez não exerça tanto a criatividade na hora de fazer composições.
- Foi libertador não precisar
ter trabalho de escolher o que vestir! A sensação de um questionamento a
menos na cabeça fez milagres. É incrível o que pequenas atitudes que têm
de ser planejadas diariamente interferem no nosso bem estar.
- Por fim, não senti vergonha
de usar nenhum dos looks. Mesmo sabendo que nem toda cidade estava a par
da experiência, eu saí muito orgulhosa nas ruas sabendo que aquela roupa
tinha sido escolhida com muito carinho. Com certeza repetirei a dose!







